Uma coreografia a dois entre voos e raízes

Com alegria, compartilho com vocês a análise crítica do espetáculo da Cie Dos à Deux, que voltou a São Paulo em 10 de maio de 2025.

Uma peça artaud ciborgue ancestral, que vale muito a pena para psicanalistas que querem pensar as relações a dois contemporâneas.

Comentários e críticas serão muito bem-vindos que quero seguir nessa aventura e escrever sobre dança, gesto e psicanálise.

Agradeço ao grupo Corpo Molde que, através do curso Escritas sensíveis para a dança, convidou os professores Deise de Brito, Henrique Rochelle e Helena Katz, pelo incentivo para esta aventura de escrever a dança.

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Deixo aqui um pedacinho da coluna, como um convite para vocês clicarem lá:

O saudoso Contardo Calligaris certa vez escreveu que, para indicar um analista, estava mais interessado em saber sobre os livros que o analista leu do que em seus estudos teóricos e que seria também recomendável que houvesse alguma experiência de vida e um gosto pela diferença. Cometo aqui a ousadia de propor que seria recomendável também que os analistas tivessem alguma experiência com seus corpos em movimento, que pudessem levar a sério o fato de que passar horas sentados na poltrona ouvindo analisantes em seus divãs, com o corpo parado, afeta e também produz um corpo, uma coreografia específica que pode estar a serviço de um eu narcísico, dissociado e enrijecido, reafirmando dicotomias que a tanto custo a psicanálise tenta desconstruir. Nas coleções dos analistas, literatura, filosofia, cinema, artes plásticas e teatro entram facilmente mais facilmente em cena. Pois eu gostaria que os analistas estivessem mais atentos aos corpos que dançam em presença, nos teatros e nas ruas, que se inclinassem (a palavra clínica vem de inclinar) à diversidade dos corpos e das artes das cidades que habitam. A dança, o gesto, o corpo em movimento como algo que produz e como campo de pesquisa para a psicanálise.

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A bela foto de divulgação do espetáculo, me foi gentilmente enviada pela companhia.